quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Ocupação Carolina Maria de Jesus, no centro de Belo Horizonte, MG. Cerca de 200 famílias se juntam ao MLB determinadas a conquistar a moradia digna!!!

Ocupação Carolina Maria de Jesus, no centro de Belo Horizonte, MG. Cerca de 200 famílias se juntam ao MLB determinadas a conquistar a moradia digna!!!

Enquanto o centro não chega à periferia, a periferia chega ao centro. A Ocupação Carolina Maria de Jesus, localizada na Av. Afonso Pena nº 2.300, no coração de Belo Horizonte, MG, traz à tona a enorme incoerência entre as quase 80 mil famílias sem casa de Belo Horizonte e os mais de 171 mil imóveis e terrenos vazios na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH)! As ocupações são uma resposta para essa desigualdade e imensa injustiça social. Nossa luta é para fazer valer os direitos à moradia digna, o direito à terra e o combate à gestão empresarial da nossa cidade, uma resistência frente a higienização e gentrificação do centro de Belo Horizonte!
A ocupação homenageia Carolina Maria de Jesus, mulher negra, mãe de quatro filhos, semi-alfabetizada, escritora e moradora da favela do Canindé, em São Paulo. Trabalhava como catadora de lixo e com os cadernos que encontrava ela escrevia sobre o seu dia-a-dia na favela. Considerada uma importante escritora brasileira, é autora do livro Quarto de Despejo – Diário de uma favelada, uma das obras mais vendidas e um dos primeiros relatos sobre a realidade de marginalização, denunciando a desigualdade social e o racismo.
O Movimento de Luta de Bairros, Vilas e Favelas (MLB) reivindica que o prédio seja destinado para moradia dessas famílias, que sofreram por anos com a falta de habitação digna e adequada, condição fundamental para constituírem suas vidas. Somos uma luta contra a especulação imobiliária e pela efetivação do direito à cidade para uma parcela da população que sempre teve a cidade negada! A região central de Belo Horizonte é concentradora de trabalhos, infra-estruturas e serviços que são negados a grande parte das famílias periféricas da capital mineira. Ocupar o centro é possibilitar acesso aos serviços básicos de saúde, educação, transporte e oportunidades de emprego a quem precisa!
Segundo a Constituição Federal de 1988 e o Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/2001), toda propriedade deve cumprir uma função social, seja ela habitacional, ambiental, cultural ou econômica. Terrenos e imóveis que permanecem vazios não cumprem nenhuma função social. Ao contrário, incentivam o processo de especulação imobiliária, que eleva o preço do solo urbano, gerando acumulação de capital para seus proprietários. As ocupações são uma resposta para fazer valer os direitos de acesso a terra e garantir que a função social da propriedade seja cumprida!!!
Por isso, buscamos diálogo com o poder público sobre a existência de tantos edifícios vazios espalhados no centro de Belo Horizonte. Em 2009, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) publicou o Plano de Reabilitação da Região do Hipercentro, que trazia um estudo indicando existir só na região do hipercentro um total de 107 imóveis vazios e lotes vagos sem uso, isso sem contar os 165 lotes que são usados como estacionamento!!!! Vários desses imóveis continuam na mesma situação!!!
Edifícios sem usos comprovados por mais de cinco (5) anos estão sujeitos à aplicação de vários instrumentos criados para garantir o cumprimento da função social: desde IPTU progressivo no tempo, que aumenta o valor dos impostos a serem pagos pelo imóvel a cada ano vazio, até a desapropriação do terreno, com transferência da propriedade ao Poder Público. Queremos que esses instrumentos sejam usados para criar uma cidade mais justa!
Vamos dar vida ao centro de Belo Horizonte com a classe trabalhadora dessa cidade: onde antes existia vazio agora existe esperança; onde antes existia um vazio, brotou nas noites frias de Belo Horizonte e existem famílias com um sonho. Reprimir e reintegrar pisando na Constituição e violando a dignidade humana desintegra sonhos lindos que nasceram no coração de Belo Horizonte. Por diálogo clamamos!
Morar dignamente é um direito humano!
Reforma urbana popular já!
Assina essa nota: MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas).
Apoio: Comissão Pastoral da Terra (CPT) e ampla Rede de Apoio.


quarta-feira, 19 de julho de 2017

Convite para Show Eco Lógico com Carlos Farias e Wilson Dias, em Unai/MG...

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quinta-feira, 25 de maio de 2017

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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Na luta 30.000 pessoas, nas Ocupações da Izidora, se libertam da cruz do aluguel.

Na luta 30.000 pessoas, nas Ocupações da Izidora, se libertam da cruz do aluguel.
Por frei Gilvander Luís Moreira


Dia 18/4/2017, o ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, suspendeu pela 2ª vez as reintegrações de posse das três ocupações-comunidades da Izidora (Rosa Leão, Esperança e Vitória), em Belo horizonte e Santa Luzia, MG. Com essa decisão, cerca de 8.000 famílias (30.000 pessoas) avançam a passos largos na luta pela sua libertação da cruz do aluguel, da especulação imobiliária, da falta de reformas agrária e urbana, etc. Que beleza!
Dia 28/9/2016, as 8.000 famílias das Ocupações da Izidora foram humilhadas pelo órgão superior do TJMG que, por 18 votos a 1, autorizou o governador de Minas, Pimentel, a autorizar milhares de policiais da Polícia Militar de MG a despejar cerca de 30.000 pessoas, sem nenhuma alternativa digna prévia. A indignação sentida pelo povo se transformou em determinação em não aceitar os despejos. O povo levantou a cabeça e continuou lutando, mesmo debaixo de uma espada de Dâmocles que tirou o sono de muita gente por seis meses. Ainda bem que o governador de Minas não perdeu a cabeça e não autorizou a PM a tentar despejar, pois seria um massacre de proporções inimagináveis. Entretanto, após as visitas de Lula, dia 30/11/2016, e do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, dia 02/4/2017 – visitas que consolaram o povo e animaram a luta - dia 18/4/2017, os humilhados foram exaltados pela decisão do ministro Og Fernandes que derrubou a decisão do TJMG.
O ministro Og Fernandes considerou existente “os requisitos do fumus boni juris, correspondente à probabilidade de êxito do recurso, e do periculum in mora, relativo ao risco de dano grave e de difícil reparação ao direito”. E percebendo que a reintegração de posse “poderá ensejar graves danos sociais às vítimas da remoção forçada e até responsabilização estatal perante órgãos internacionais de proteção aos direitos humanos”, escreveu Og Fernandes: “entendo que o caso seja de deferimento (concessão) da medida liminar pleiteada”. O ministro assinalou ainda que “providência similar foi tomada pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da Medida Cautelar na Ação Cautelar n. 4.085/SP, Rel. Ministro Dias Toffoli, DJe 08/3/2016, na qual se impediu o cumprimento da reintegração de posse da área conhecida como (Ocupação da) Vila Soma, localizada no Município de Sumaré, SP, a fim de se evitar a exacerbação do litígio em questão”. Cumpre recordar que a decisão do ministro Dias Toffoli, referida acima, foi inspirada na decisão do ministro Og Fernandes que, em 29/6/2015, mandou suspender os despejos das Ocupações da Izidora. Ou seja, uma decisão positiva animando outra.
Com esses argumentos, o ministro Og Fernandes, que tinha sido premiado pela ministra Carmem Lúcia, presidenta do STF por causa da 1ª decisão de suspensão do despejo das 30.000 pessoas das ocupações da Izidora em 29/6/2015, deferiu o 2º pedido liminar do Coletivo Margarida Alves, que defende juridicamente as milhares de famílias das ocupações da Izidora, e, assim, o ministro Og, dia 18/4/2017, atribuiu efeito suspensivo ao recurso em Mandado de Segurança, suspendendo os efeitos do acórdão recorrido até o julgamento final do presente feito que provavelmente demorará vários meses. O povo sabe o que deve fazer nesse tempo.
A conquista de moradia digna, própria e adequada pelo povo das Ocupações da Izidora se tornou uma estrela que se acendeu no Brasil para guiar os passos de 6.000.000 de famílias que ainda estão debaixo da pesadíssima cruz do aluguel e sendo super-explorado pelo sistema do capital, máquina de moer vidas humanas e de toda a biodiversidade. O caminho é, de forma organizada, ocupar os terrenos ociosos que não estão cumprindo a função social, pois enquanto morar for um privilégio, ocupar é um direito e um dever.
Nossa eterna gratidão a Manoel Bahia e Ricardo Freitas (Kadu) que tombaram nessa luta. A doação da vida de vocês não foi em vão. Vocês viverão sempre em plenitude e em nós na luta. Só perde quem não entra na luta das ocupações ou da luta desiste.
Abraço na luta.
Frei Gilvander Moreira, em Belo Horizonte, MG, Brasil, tarde com temperatura agradável do dia 20/4/2017.


SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ) SUSPENDE REINTEGRAÇÃO DE POSSE DAS OCUPAÇÕES DA IZIDORA, em Belo Horizonte, PELA 2° VEZ!

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ) SUSPENDE REINTEGRAÇÃO DE POSSE DAS OCUPAÇÕES DA IZIDORA, EM BELO HORIZONTE, MG, PELA 2° VEZ!


As coordenações das Ocupações-comunidades da Izidora (Esperança, Rosa Leão e Vitória), os movimentos sociais Brigadas Populares (BPs), Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), e o Coletivo Margarida Alves (CMA) vêm a público informar que o Ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de Brasília, decidiu na data de hoje, 20 de abril de 2017, pela 2a vez suspender qualquer tentativa de despejo por parte dos supostos proprietários da área da região da Izidora e da Polícia Militar de Minas Gerais, comandada pelo governador Fernando Pimentel (PT), contra as 8.000 famílias das ocupações-comunidades da Izidora.
A decisão suspende a decisão injusta e covarde proferida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), dia 28 de setembro de 2016, quando por 18 votos a 1, os desembargadores do TJMG autorizaram o Governador de MG e a PM de MG a despejar 8.000 famílias sem nenhuma alternativa digna prévia por entenderem que não haveria violação aos direitos humanos de mais de 30.000 pessoas que moram nas ocupações urbanas da Izidora. Desde o ano de 2013 o povo da Izidora construiu, através da luta em conjunto com os movimentos sociais e grande rede de apoio, três bairros irmãos.
A decisão do STJ é importantíssima, porque suspende juridicamente qualquer possível tentativa de despejo contra as comunidades, reconhecendo a necessidade de respeito aos direitos das famílias das Ocupações e solução responsável e digna para este que é um dos sete maiores conflitos fundiários urbanos do mundo. Ainda essa decisão representa mais uma oportunidade para as autoridades (Prefeitura de Belo Horizonte e Governo do Estado de Minas Gerais) darem um fim justo, digno e idôneo ao conflito fundiário e social da Izidora, realizando a regularização fundiária e urbanização, sem derrubar nenhuma casa!
Reafirmamos que sob as terras da Izidora pesam fortes indícios de grilagem. São nove irregularidades na cadeia dominial da matrícula 1202 da Granja Werneck S.A, documento das terras em promessa de venda para a Construtora Direcional. Além do que as terras estavam abandonadas e sem cumprir qualquer função social, desrespeitando, assim, a Constituição brasileira e o Estatuto da Cidade há décadas.
Lembramos também que, essa importante vitória, que ainda não é definitiva, só foi conquistada através da luta das coordenações, movimentos sociais, advogadas e advogados populares, arquitetas e arquitetos populares, rede de apoio, e, principalmente, através da resistência popular do povo que fez dezenas e dezenas de lutas coletivas. Há muito as comunidades já davam o seu recado para as tentativas de despejo oferecidas pelas autoridades: não aceitamos nenhum direito a menos!
Avante Izidora, rumo à urbanização!
Se o presente é feito de lutas, o futuro nos pertence!
Enquanto morar for um privilégio, ocupar é um direito e um dever!
Pátria Livre! Venceremos!

Belo Horizonte/MG, 20 de abril de 2017.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Quilombo Marobá dos Teixeira, Almenara/MG: clamor por justiça. Sr. Orlin...

TORTURA e tentativa de homicídio no Quilombo Marobá dos Teixeira

TORTURA e tentativa de homicídio no Quilombo Marobá dos Teixeira.

TORTURA e tentativa de homicídio no Quilombo Marobá dos Teixeira, no município de Almenara, no Baixo Jequitinhonha, MG, na noite do dia 24/03/2017. Assista e divulgue a denúncia da Comissão Pastoral da Terra (CPT), abaixo, vídeo, de um crime hediondo: amarrar Jurandir, um negro quilombola, presidente da Associação Quilombola da Comunidade Marobá dos Teixeira, açoitá-lo e quase enforcá-lo, enquanto outros jagunços amarravam Maria Rosa, esposa de Jurandir, e, após espancá-la, injetar veneno no pulso dela. Exigimos o máximo de empenho das forças de segurança do Estado para prender os criminosos e que o poder judiciário julgue e condene os responsáveis direito e indiretamente por esse atentado. E que o INCRA resgate e titule 100% do território do Quilombo Marobá dos Teixeira. Assista ao vídeo-denúncia, abaixo. Comprometa-se de alguma forma apoiando o Quilombo Marobá dos Teixeira. Divulgue e compartilhe o vídeo, abaixo, com essa denúncia, em nome da justiça social e da dignidade humana.

Clic no link, abaixo, e assista. 



domingo, 2 de abril de 2017

Kalil visita as Ocupações da Izidora e reafirma que não terá MCMV na Izi...

Prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, visitou as ocupações-comunidades da Izidora e reafirmou compromisso de urbanizá-las e não aceitar implementar Minha Casa Minha Vida em nenhuma das áreas ocupadas.

Prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, visitou as ocupações-comunidades da Izidora e reafirmou compromisso de urbanizá-las e não aceitar implementar Minha Casa Minha Vida em nenhuma das áreas ocupadas.


Hoje, dia 02/04/2017, das 10h30 às 14h45, o prefeito de Belo Horizonte, MG, Alexandre Kalil, visitou as Ocupações-comunidades-bairros da Izidora (Rosa Leão, Esperança e Vitória), onde há 4 anos 8.000 famílias moram e já construíram acima de 5.000 casas de alvenaria, em terrenos que não cumpriam sua função social e que tem indícios de grilagem (nove irregularidades na cadeia dominial da matrícula 1202, da Granja Werneck S.A), inclusive. Kalil girou em grande parte da Ocupação Vitória, recebeu inúmeros abraços e o carinho do povo que foi imprescindível na eleição dele.
Kalil ouviu o pronunciamento de várias  lideranças nas três comunidades da Izidora e reafirmou o que já tinha dito às coordenações e aos representantes das Brigadas Populares (BPs), da Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e das/os advogados/as do Coletivo Margarida Alves, e repetiu nas três ocupações-comunidades-bairros Rosa Leão, Vitória e na Esperança que não aceitará e nem assinará nada para realização do programa Minha Casa Minha Vida na Izidora, que a história de construir prédios na Izidora pela Direcional é página virada, que nenhuma casa será demolida, que se empenhará muito para terminar a demanda jurídica, que regularizará fundiariamente e urbanizará 100% das áreas ocupadas das três ocupações-comunidades da Izidora (Rosa Leão, Esperança e Vitória).
O prefeito Kalil reafirmou diante de multidões de pessoas presentes em assembleias nas três ocupações da Izidora que acabou a ideia de predinhos na Izidora e que agora é conseguir dinheiro para urbanizar as ocupações. Ficou decretado: Direcional fora das ocupações-comunidades da Izidora! Entramos numa nova fase da luta!
Ao lado de sua esposa Ana, Kalil se emocionou muito ao ver o povo na praça lotada na Ocupação-comunidade Vitória rezando e orando um Pai Nosso, cantando “Nossos Direitos Vêm (bis), se não vêm nossos direitos, o Brasil perde também. Quem negar nossos direitos será negado também. Já chega de tanta conversa sem cumprir para ninguém, mas com todo o povo unido, a luta muda de sentido e nosso direito vem”. E gritando: “Com luta, com fé a casa fica em pé!” (3 vezes). Após ser aplaudido inúmeras vezes pelo povo, Kalil, sua esposa Ana e sua equipe de segurança almoçaram junto com dezenas de pessoas na casa da Aninha e do Adão, comendo comida feita em fogão de lenha, com frutos saudáveis da horta comunitária do Vitória.
Mariana, poetisa da Rosa Leão, e outra poetisa declamaram poesias e o MC Salve, da comunidade Vitória cantaram música que embala nossa luta por moradia. Viva a luta junto com arte e cultura que emancipa!
Que beleza mais uma vitória na renhida, mas justa e necessária luta por moradia própria, digna e adequada. Tenho certeza que Manoel Baía, Kadu e outros companheiros que tombaram nessa luta estão felizes partilhando vida em plenitude, nos inspirando e nos protegendo. Parabéns a todas/os que acreditam na luta coletiva em prol de direitos sociais que só se conquistam na luta. Só perde quem não entra na luta coletiva ou dela desiste. Pátria livre! Venceremos!
Abraço terno.  Frei Gilvander Moreira, pela CPT/MG.

Obs.: Em breve, publicaremos os vídeos registros da visita do Kalil às comunidades da Izidora dia 02/04/2017. Estarão disponibilizados no youtube, nos blogs das ocupações da Izidora, em páginas do facebook e em www.freigilvander.blogspot.com.br , inclusive.


quarta-feira, 29 de março de 2017

Em Arinos, MG, Pré Romaria da 20a Romaria das águas e da terra de MG ser...

Em Arinos, MG, Pré Romaria da 20a Romaria das águas e da terra de MG ser...

Enriquecimento ilícito de quase 43 milhões de reais em Belo Horizonte.

Enriquecimento ilícito de quase 43 milhões de reais em Belo Horizonte.

O Relatório no link, abaixo, demonstra Enriquecimento ilícito de quase 43 milhões de reais de empresas que adquiriram terrenos da CODEMIG/CDI, onde estão atualmente  as ocupações-comunidades Eliana Silva, Camilo Torres, Irmã Dorothy, Paulo Freire, Nelson Mandela, etc, no Barreiro, Distrito Industrial do Jatobá, em Belo Horizonte, MG.
Segue, abaixo, o link de onde está publicado Relatório da Controladoria-Geral do Estado de Minas Gerais demonstrando o desvio de finalidade e o enriquecimento ilícito de empresas que adquiriram terrenos da CODEMIG/CDI, onde estão hoje as comunidades Eliana Silva, Camilo Torres, Irmã Dorothy, Paulo Freire, Nelson Mandela, etc. Há 6 Ações Civis Públicas do Ministério Público e da Defensoria Pública do estado de MG, área de Direitos Humanos, exigindo a declaração de Nulidade dos contratos da aquisição fraudulenta dos terrenos do Governo de MG na década de 1990. Mas o TJMG há anos mantêm essas ACPs na gaveta.
Enquanto o ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, ficou 8 anos dizendo que não há terrenos em BH para se fazer um grande projeto habitacional, empresas lucraram de forma ilícita/ fraudulenta quase 43 milhões de reais especulando terrenos que eram/são de direito terras públicas/devolutas, do Governo de MG. Eis um forte indício da tremenda injustiça urbana e social que campeia na capital mineira empurrando milhares de famílias para debaixo da pesadíssima cruz do aluguel.
Governador Pimentel e o TJMG estão com a palavra: Pedimos que DECLAREM A NULIDADE DOS CONTRATOS e RESGATEM as terras que ainda não foram resgatadas pelo povo e as destinem a um grande projeto habitacional.
Quem puder elaborar reportagens sobre esse assunto contribuirá para que a verdade aflore.

Abraço terno na luta. Frei Gilvander Moreira, da CPT.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Pré-Romaria da 20a Romaria em Buritis/MG, poesia BURITIS DO PRESENTE, de...

NOTA SOBRE O CANCELAMENTO DA REUNIÃO ENTRE O GOVERNADOR DE MG, FERNANDO PIMENTEL, E REPRESENTAÇÕES DAS OCUPAÇÕES-COMUNIDADES DA IZIDORA.

NOTA SOBRE O CANCELAMENTO DA REUNIÃO ENTRE O GOVERNADOR DE MG, FERNANDO PIMENTEL, E REPRESENTAÇÕES DAS OCUPAÇÕES-COMUNIDADES DA IZIDORA.


Anteontem, dia 21/03/2017, às 17 horas, no Palácio da Liberdade, o Governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, (PT), receberia uma Comissão das Ocupações da Izidora + Brigadas Populares + Comissão Pastoral da Terra (CPT) + Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) + Coletivo Margarida Alves e assessoria técnica. Depois de 2,3 anos sem receber nenhuma das lideranças das inúmeras ocupações urbanas de Minas Gerais (60.000 famílias em MG), o governo de Fernando Pimentel prometeu novamente nos receber (já que tinha cancelado seu compromisso de nos receber em janeiro desse ano), gerando grande expectativa de que enfim conseguiríamos chegar a um justo e idôneo fim do conflito sociofundiário da Izidora.
Infelizmente, mais uma vez não fomos recebidos. Os movimentos e coordenações das ocupações enviaram, via e-mail, na tarde do dia 21/03 uma lista com os nomes das e dos representantes. No entanto, quando chegamos para reunião, fomos surpreendidos na portaria do Palácio (entrada pela rua Tomé de Souza), com uma listagem do governo, que excluía um dos movimentos que acompanha as ocupações, o MLB, e reduzia para menos da metade a listagem dos que participariam da reunião (lista que seria praticamente idêntica aos representantes que foram recebidos pelo prefeito Kalil na semana passada, dia 14/03/2017, em diálogo que durou quase 4 horas).  Depois de muita discussão com os assessores do governo, aceitaram incluir o MLB, mas quando o movimento indicou como seu representante na reunião, o companheiro Leonardo Péricles (coordenador nacional do MLB e presidente nacional da Unidade Popular pelo Socialismo - UP), o governo de Minas o impediu de participar, sem alegações plausíveis, a não ser perseguição política e inclusive práticas de racismo. Impôs também o governo, que o Pastor Alberto, da coordenação da ocupação-comunidade Vitória, também não poderia participar, repetindo a mesma prática citada acima. Diante de tamanha intransigência, nós, movimentos e coordenações, tentamos pacientemente resolver o impasse e reafirmamos que quem decide os nomes de quem participa de uma reunião como essa, somos nós, movimentos e o povo que representamos, e não o governo do estado. Aceitar a posição de perseguição política em relação a lideranças do movimento é dar brecha para que mais à frente, outras lideranças e movimentos tenham seus direitos cassados.
Após cerca de uma hora e meia, não contente em impedir a participação das lideranças, de forma intransigente, o governo de MG cancelou a reunião sem também apresentar justificativa plausível. Nós duvidamos que o Governador Fernando Pimentel ofereça esse tratamento aos empresários e ricos desse Estado. Basta lembrarmos o hediondo e criminoso desastre da Samarco/BHP/Vale, em que o Governador, ao invés de ir primeiro visitar as famílias atingidas de Bento Rodrigues, visitou a sede das mineradoras opressoras e criminosas.
Como pode um governo que se elegeu com o slogan “ouvir para governar” fazer isso? A luta das ocupações urbanas é legítima e necessária. Ela engloba os trabalhadores e trabalhadoras pobres que mesmo trabalhando duro e produzindo tudo que a sociedade precisa, não tem salário para construir suas casas.  A sua maioria é formada de pessoas negras, assim como Leonardo Péricles e o pastor Alberto. Logo no dia de combate à discriminação racial, o governo de MG pratica tamanha injustiça!
Essa postura do governo de Minas nos indica que não quer negociar de verdade e se comprometer, assim como o prefeito Kalil, com as ocupações da Izidora. Mostra mais: que estamos vivendo um período de exceção, em que cidadãos e cidadãs estão sendo perseguidos por não se calarem diante das infindáveis injustiças produzidas pelo sistema capitalista e por lutarem pelos seus direitos, como no caso da luta das ocupações urbanas!
Esperamos que o governo de MG realmente tenha disposição para negociar, pois seria uma irresponsabilidade sem tamanho, um governo estadual, que é quem tem o comando da Polícia Militar, não negociar de forma justa e idônea. Diante dos conflitos sociofundiários advindos exatamente da omissão/cumplicidade do Estado em realizar sérias políticas públicas urbanas populares, a resposta não pode ser simplesmente enviar tropas fortemente armadas para auxiliar as operações de reintegração de posse que sempre resultam em violência contra os pobres!
Desse modo, reafirmamos a disposição dos movimentos e coordenações de negociar e buscar uma solução que priorize o direito humano de morar dignamente das famílias da Izidora. Esperamos que o Governador Fernando Pimentel remarque o mais breve possível a reunião com uma Comissão das Ocupações-comunidades da Izidora junto com representantes dos movimentos que as acompanham.

Assinam essa Nota Pública:
Coordenações das Ocupações da Izidora (Rosa Leão, Esperança e Vitória),
Brigadas Populares,
MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas)
CPT (Comissão Pastoral da Terra).
Coletivo Margarida Alves de Assessoria Popular (CMA)

Belo Horizonte, MG, Brasil, 23 de março de 2017


quarta-feira, 22 de março de 2017

Governador MG, Pimentel, pela 2a vez marca, mas não recebe Comissão das Ocupações da Izidora.

Governador MG, Pimentel, pela 2a vez marca, mas não recebe Comissão das Ocupações da Izidora.


Leonardo Péricles, da Coordenação Nacional do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas), e o Pastor Alberto, da coordenação da Ocupação-comunidade Vitória, com 4.500 famílias, na região da Izidora, em Belo Horizonte e Santa Luzia, MG, na foto, abaixo. O governador Pimentel não aceitou que esses dois - Leonardo Péricles e pastor Alberto - participassem da reunião de uma Comissão das Ocupações da Izidora + CPT + MLB + Brigadas Populares com o governador de Minas, Fernando Pimentel, ontem, dia 21/03/2017. Grande injustiça. Sem Leonardo Péricles e sem o pastor Alberto, com uma comissão muito restrita não podíamos entrar para a reunião. A reunião estava marcada pelo Pimentel para as 17h00 de ontem. Por volta das 19h00, o deputado Rogério Correia e as vereadoras Cida e Áurea - que intercediam pela Izidora - nos informaram que o Pimentel intransigente tinha cancelado a reunião. Perguntei a um secretário do Governo que apareceu na entrada dos fundos do Palácio da Liberdade (?): "Por que o Leonardo Péricles e o pastor Alberto não podem participar da reunião agendada com o governador Pimentel?" Ele me respondeu que os nomes deles não estavam na lista porque o pastor Alberto é contra a Direcional construir prédios de 8 a 9 andares em área ocupada pela Ocupação Vitória, tendo para isso que demolir cerca de 700 ou 800 casas já construídas. Pastor Alberto está sendo porta voz do povo do Vitória que não aceita a destruição das casas para construir prédios. O povo da ocupação-comunidade Vitória e das ocupações-comunidades Esperança e Rosa Leão exigem Direcional fora do território das 3 comunidades da Izidora. O secretário me disse que Leonardo Péricles não podia participar da reunião com o Governador Pimentel por causa de um protesto legítimo que ele fez na Assembleia Legislativa, dia 19/06/2015, após a Polícia Militar de MG reprimir de forma bárbara cerca de 3.000 pessoas das Ocupações-comunidades da Izidora na Linha Verde (MG-010) que marchavam pacificamente rumo à Cidade Administrativa, lutando contra a iminência de despejo e exigindo moradia digna, própria e adequada. Além de quase ter matado Alice, uma criança de 8 meses da Ocupação Vitória e ter semeado pânico e terror sobre o povo, a PM de MG, naquela oportunidade, feriu fisicamente com tiros e bombas mais de 90 pessoas e prendeu mais de 40 pessoas. Uai! Põe o dedo na consciência, meu irmão! Portanto, repudiamos com veemência essa tentativa de ignorar e desrespeitar o Leonardo Péricles do MLB, que é um grande lutador, extremamente ético, super-responsável, um militante querido, respeitado e admirado pelo povo injustiçado e pelas forças vivas da sociedade.
Eleito com o slogan "ouvir para governar", Pimentel em 2,3 anos de mandato não recebeu nenhuma liderança das Ocupações Urbanas de MG. Injusta e lamentável essa postura intransigente. O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, está demonstrando sensibilidade e assumiu compromisso de regularizar e urbanizar 100% das ocupações da Izidora e não aceitar empreendimento do Minha Casa Minha Vida em território ocupado pelas comunidades da Izidora que já são três bairros irmãos em franco processo de consolidação. Continuaremos pedindo que o governador Pimentel receba uma Comissão das Ocupações da Izidora com os movimentos que as acompanham. Abraço na luta. Frei Gilvander Luís Moreira, pela coordenação da CPT/MG.

terça-feira, 21 de março de 2017

Reunião com Pimentel e Manifestação: convite.

Reunião com Pimentel e Manifestação: convite.

O Governador Pimentel receberá uma Comissão das Ocupações da Izidora + Brigadas Populares + CPT + MLB + Coletivo Margarida Alves e assessoria técnica hoje, 3f., dia 21/03/2017, às 17h00, no Palácio da Liberdade, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, MG.
Atenção Povo das ocupações-comunidades Izidora (Rosa Leão, Esperança e Vitória) e Rede de Apoio, combinamos ontem que faremos uma Manifestação diante do Palácio da Liberdade, na Praça da Liberdade, a partir das 16h45, enquanto uma Comissão de lideranças estiver em reunião com o Governador Pimentel. A proposta é sair de ônibus das 3 comunidades da Izidora às 14h30 para chegar à Praça da Liberdade antes das 16h00. Quem estiver trabalhando que vá se juntar à Manifestação na porta do Palácio da Liberdade, na Praça da Liberdade. E vá também de ônibus coletivo, de moto, a pé, etc. Quanto mais gente na luta coletiva melhor! É a primeira vez que o Governador receberá lideranças dos movimentos populares urbanos. Esperamos que o Pimentel assuma o compromisso de regularizar fundiariamente e contribuir na urbanização das 3 comunidades da Izidora (Rosa Leão, Esperança e Vitória) colocando rede de água, saneamento e energia, sem derrubar nenhuma das casas construídas com muito sacrifício e suor nesses 4 anos de luta do povo trabalhador da Izidora.
Quanto maior a nossa luta, maior será a nossa Vitoria. 
Só a luta muda a vida.

Chamada das Coordenações das ocupações-comunidades da Izidora + CPT + MLB + Brigadas Populares + Coletivo Margarida Alves.
BH, 21/03/2017.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Nota de esclarecimento sobre a Proposta de Negociação com as Ocupações-comunidades da Izidora apresentada pelo Estado de Minas Gerais, Prefeitura de Belo Horizonte e Direcional Engenharia.

Nota de esclarecimento sobre a Proposta de Negociação com as Ocupações-comunidades da Izidora apresentada pelo Estado de Minas Gerais, Prefeitura de Belo Horizonte e Direcional Engenharia.

 Belo Horizonte e Santa Luzia, MG, 26 de fevereiro de 2017


Foi apresentada Proposta de acordo do Governo de MG + Prefeitura de BH + Construtora Direcional conforme veiculado por reportagem do Jornal Estado de Minas hoje, dia 24/02/2017. Destacamos que a proposta e a notícia têm vários problemas, além de ter sido feita a revelia das ocupações da Izidora, parece querer induzir a opinião pública a pensar que a proposta do Governo de Minas + PBH/Kalil + Construtora Direcional é muito boa para as famílias. Porém é necessária uma análise cuidadosa. Reportagens da imprensa precisam ser lidas de forma crítica, pois revelam algo, mas sempre escondem outras coisas. Esperamos que a Negociação seja justa, ética e idônea. Por isso a verdade sempre deve brilhar.
Primeiro, o nome correto é Izidora e não Isidoro, conforme utilizado na Operação Urbana Irregular planejada para a área. Izidora era uma mulher negra quilombola que lavava roupa no ribeirão que levou o seu nome: Ribeirão da Izidora. Isso consta nos documentos e mapas da região até o ano de 1934. A história deve ser respeitada e essa “confusão” não nos parece trivial. 
Segundo, o Mapa apresentado, depois de muita insistência dos movimentos e coordenações, NÃO DEMONSTRA EXATAMENTE A ÁREA ONDE A DIRECIONAL INSISTE EM FAZER PARTE DO PROJETO MINHA CASA MINHA VIDA. Para isso precisamos dos mapas da construtora Direcional que integram o projeto para aferirmos se o mapa do Governo corresponde aos mapas do projeto da Direcional, pois o Projeto original da Direcional, constante no Contrato assinado em 27/12/2013, seis meses após as 8 mil famílias terem ocupado os terrenos que estavam abandonados na Izidora, projeto apresentado pelo engenheiro Francisco, da Direcional, visa construir 10.932 apartamentos, em duas fases. Na 1ª fase, no território da Ocupação Vitória, construir 8.896 (oito mil oitocentos e noventa e seis) pequenos apartamentos, de 43,70 m² (quarenta e três metros quadrados) cada, em 80% dos prédios com 9 andares, todos com paredes premoldadas de concreto  e sem elevadores.
Terceiro, o governo de Minas promete pagar R$500,00 de aluguel social por família por até 2 anos quando se espera que ficarão prontos os apartamentos para reassentamento das famílias que estiverem dentro dos critérios. Quais critérios? Dizem que o cadastro irá determinar quem poderá receber o aluguel social. Essa deve ser uma construção participativa na mesa e é uma questão que causa extrema insegurança às famílias ameaçadas.
Quarto, não se fala na Proposta do Governo de Minas + Kalil + Direcional de REASSENTAMENTO PRÉVIO EM CASAS DE QUALIDADE IGUAL, OU MELHOR, CONFORME DETERMINA A LEGISLAÇÃO INTERNACIONAL PARA CONFLITOS FUNDIÁRIOS.  E não se fala também em indenização pelos gastos que centenas de famílias tiveram para construir suas casas, pleito colocado pelas famílias e apresentado ao Estado. Inclusive, não sabemos exatamente quantas famílias serão removidas de suas casas. Sequer a realidade social delas, pois o cadastro ainda não foi feito.
Quinto, lado bom da reportagem é que o secretário Helvécio Magalhães, secretário de Estado de Planejamento e Gestão (SEPLAG) do Governo de Minas garantiu: “O certo é que ninguém será despejado à força. Estamos dialogando com as lideranças. A preocupação do governo é que, mesmo tendo ordem de despejo, não vamos fazer à força”. Necessário garantir que se for para sair de suas casas que seja para reassentamento prévio em casas com qualidade igual ou superior. 
Sexto, grave problema ainda é que, na proposta apresentada, o Estado busca responsabilizar os movimentos sociais para garantir a desocupação da área determinada e o controle do número de pessoas na ocupação, o que é absolutamente inviável e inadequado. O Estado por muito tempo se esquivou de lidar com a política habitacional e não pode empurrar seus encargos para os movimentos sociais. Pior, nessa proposta busca responsabilizar exclusivamente os movimentos, coordenações e assessoria técnica popular pela aceitação ou recusa da proposta. Já deixamos muito claro que quem decide sobre as vidas dessas famílias são elas próprias e o Estado tem o dever de ouvi-las e respeitá-las. É necessário tempo para compreender todas as implicações da Proposta, ouvir - e dialogar com - o povo das Ocupações junto às assembleias e reuniões de setor, certos de que quem decidirá se a proposta será aceita ou não é o povo, lastreado pelo cadastro que deverá ser realizado.
Sétimo, ainda não demonstraram através de documentos se o Governo Federal, através da Caixa Econômica, tem e se liberará dinheiro para a Direcional fazer os 4.789 apartamentos. Inclusive nem os recursos para o custeamento de eventual aluguel social são garantidos. Situação recorrente é a do Estado não arcar com os alugueis sociais comprometidos e deixar as famílias desamparadas, situação que é previsível diante do cenário de fragilidade financeira do Estado. 
As coordenações das ocupações, os movimentos sociais e a assessoria técnica popular reiteram aqui que o processo de decisão cabe somente às famílias que vivem na Izidora e que nossa atuação é estritamente no sentido de garantir-lhes todos os seus direitos fundamentais. Acreditamos em um processo de diálogo para uma solução justa para esse grande conflito que transformou a forma de construir a política habitacional no Brasil. Contamos com a colaboração de toda a Rede de Apoio do Resiste Izidora para, juntas, vencermos mais essa batalha.

Assinam essa nota pública,
Coordenações das Ocupações-comunidades Rosa Leão, Esperança e Vitória
Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB)
Brigadas Populares (BPs)
Coletivo Margarida Alves de Assessoria Popular

Belo Horizonte, MG, 26 de fevereiro de 2017


domingo, 8 de janeiro de 2017

Papa Francisco, CEBs, Pastorais Sociais e Movimentos Populares: Jornal PROSA BOA, da Cáritas da Diocese de Paracatu, MG, entrevista frei Gilvander Moreira

Jornal PROSA BOA, da Cáritas da Diocese de Paracatu, MG, entrevista frei Gilvander Moreira

 Frei Gilvander Moreira convoca católicos – e todas as pessoas religiosas ou não, pessoas de boa vontade - a atender o chamado do Papa Francisco.


O papa Francisco está sendo bom pastor e profeta, pois ele está consolando os aflitos e incomodando os acomodados. Não podemos tardar mais em levar a sério o testemunho e os ensinamentos do papa Francisco na Exortação Apostólica A Alegria do Evangelho, no seu Discurso aos Movimentos Sociais na Bolívia e na Carta Encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado da casa comum. O papa Francisco tem condenado o capitalismo como um sistema satânico e tirânico. “Esse sistema é insuportável”, afirma Frei Gilvander em entrevista exclusiva ao Jornal Prosa Boa, em setembro de 2016.

1)    Jornal Prosa Boa: O Vaticano tem recebido movimentos sociais do mundo todo, inclusive o MST e a Via Campesina. O que tem significado o pontificado de Francisco para os movimentos sociais e para as Comunidades Eclesiais de Base?
Frei Gilvander: “O papa Francisco está sendo bom pastor e profeta, pois ele está consolando os aflitos e incomodando os acomodados. Não podemos tardar mais em levar a sério o testemunho e os ensinamentos do papa Francisco na Exortação Apostólica A Alegria do Evangelho, no seu Discurso aos Movimentos Sociais na Bolívia e na Carta Encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado da casa comum. O papa Francisco tem condenado o capitalismo como um sistema satânico e tirânico. “Esse sistema é insuportável”, bradou o papa Francisco. Esse brado virou o lema do Grito dos Excluídos de 2016. Além de ser pobre e para os pobres, a Igreja desejada pelo papa Francisco é corajosa em denunciar o atual sistema econômico, "injusto na sua raiz" (EG 59). Como disse João Paulo II, a Igreja "não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça" (EG 183). "Saiam!" é a essência da mensagem que o papa Francisco envia aos bispos, padres e membros das comunidades cristãs. Saiam das suas cômodas estruturas eclesiais burguesas e do caloroso círculo dos convencidos, anunciem o Evangelho às periferias das cidades, aos marginalizados pela sociedade, aos pobres, aos injustiçados!”

2)    Jornal Prosa Boa: Uma Igreja que vá até as periferias geográficas e espirituais. É isso que o papa Francisco tem proposto. Os católicos conseguirão entender o significado da “Igreja em saída” defendida pelo Papa?
Frei Gilvander: “Não basta entender, é preciso ir visitar e conviver com os injustiçados/as, ouvir seus clamores e, a partir da Bíblia e da nossa fé libertadora, organizar os oprimidos para protagonizarem lutas coletivas na defesa dos seus direitos sociais. O papa Francisco nos alerta: “se a dimensão social da evangelização não for devidamente explicitada, corre-se o risco de desfigurar o sentido autêntico e integral da missão evangelizadora” (EG 176). O papa Francisco alerta também: “prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos.” (EG 49). Quem se omitir na missão para a qual o papa Francisco nos convida será cúmplice do sistema do capital, que é uma máquina de moer vidas.”
3)    Jornal Prosa Boa: As críticas ao capitalismo têm incomodado setores conservadores da Igreja, que já começam a se inquietar com as posições progressistas do Papa Francisco. Você acha que o Papa conseguirá avançar nas reformas que a Igreja necessita?
Frei Gilvander: “O ensinamento de Jesus Cristo e seu testemunho libertador consolaram os aflitos e incomodaram parte dos fariseus, todos os saduceus (os grandes senhores de terra da época), o sinédrio e o império romano. Esses condenaram Jesus à pena de morte. Óbvio que quem estiver sendo cúmplice das opressões do capital nunca irá gostar do papa Francisco, mas como Jesus fez história, o papa Francisco também está fazendo história. Feliz quem colocar em prática o que propõe o papa Francisco, um legítimo discípulo de Jesus Cristo. O papa Francisco critica o "fetichismo do dinheiro" e "a ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano", versão nova e implacável da "adoração do antigo bezerro de ouro". O papa Francisco critica o atual sistema econômico: "esta economia que mata", porque prevalece a "lei do mais forte". Este se opõe à cultura do "ser humano descartável" que criou "algo novo" e dramático: "Os excluídos não são 'explorados', mas resíduos, 'sobras'" (EG 53). Enquanto não se resolverem de forma justa os problemas dos pobres, renunciando "à autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira e atacando as causas estruturais da desigualdade social – insiste o papa Francisco –, não se resolverão os problemas do mundo e, em definitivo, problema algum". O papa Francisco indica que as raízes dos males sociais estão na "desigualdade social”.”
4)    Jornal Prosa Boa: Você milita também no movimento de moradia e está sempre presente nas periferias. O que vai significar, para os pobres, o golpe que derrubou a presidenta Dilma?
Frei Gilvander: “O papa Francisco disse que “o povo brasileiro passa por um momento triste”, porque ele sabe que os golpistas, após perderem quatro eleições, insistem em cortar todos os direitos sociais conquistados pelo povo nos últimos 30 anos e colocar o Brasil de joelho frente aos interesses das grandes empresas transnacionais e do capital financeiro. Não podemos admitir esse imenso retrocesso. O Impeachment da Presidenta Dilma foi golpe, não militar, mas político, jurídico, midiático e do capital, porque Dilma não cometeu crime de responsabilidade. Com o golpe, Dilma perdeu o exercício do seu mandato, mas o povo brasileiro, se não ir para as ruas em lutas massivas, perderá todos os direitos sociais conquistados com muita luta nas últimas décadas. Leonardo Boff alertou há uns cinco meses atrás: "Se os pobres desse país soubessem o que estão preparando para eles, não haveria ruas que coubessem tanta gente para protestar contra o impeachment". Mas a mídia deixou muita gente grogue e anestesiada. Oxalá o povo acorde antes que a faca – dos cortes sociais - está na garganta! Agora, eu alerto: se toda a classe trabalhadora e toda a classe camponesa não forem para as ruas, em lutas coletivas massivas e bem organizadas, perderão todos seus direitos trabalhistas, previdenciários, ambientais, pois os golpistas estão rasgando a Constituição para congelar investimentos públicos nas áreas sociais por 20 anos, o que é um absurdo. Estão tramando para vender terras a estrangeiros, entregar o pré-sal para as transnacionais dos Estados Unidos, amputar o braço social do Estado e robustecer o braço repressor do Estado. E privatizar tudo: portos, aeroportos, terras, águas, SUS etc. Será o retorno da miséria, do aumento da violência social e da precarização das relações de trabalho, sem falar no imenso retrocesso nas reformas agrária e urbana. Os golpistas são poderosos, mas têm pés de barro. Continuemos animando lutas coletivas em todos os cantos e recantos.”
5)    Jornal Prosa Boa: O Papa Francisco lançou uma encíclica com duras críticas ao modelo de desenvolvimento que domina o mundo. Em alguns trechos o Papa se aproxima de posições defendidas por teólogos progressistas como Leonardo Boff, de quem solicitou e leu alguns livros. Ele também recebeu no Vaticano um dos fundadores da Teologia da Libertação, padre Gustavo Gutierrez. Francisco pode marcar um novo fortalecimento da Teologia da Libertação?
Frei Gilvander: “Sim. O papa Francisco está sendo, pelo seu ensinamento e pela sua prática, um expoente da Teologia da Libertação, das Comunidades Eclesiais de Base, das Pastorais Sociais e dos Movimentos Sociais Populares. A Igreja não deve ficar indiferente a tais injustiças. Diz o papa Francisco: “a economia não pode mais recorrer a remédios que são um novo veneno, como quando se pretende aumentar a rentabilidade reduzindo o mercado de trabalho e criando assim novos excluídos” (EG 204). O papa Francisco dedica páginas à denúncia da "nova tirania invisível, às vezes virtual" em que vivemos, um "mercado divinizado", onde reinam a "especulação financeira", a "corrupção ramificada", a "evasão fiscal egoísta" (Laudato Sí, n. 56).”
6.   Jornal Prosa Boa: Como você vê o papel da Cáritas, dos movimentos sociais e das Comunidades Eclesiais de Base no período pós-golpe?
Frei Gilvander: “Terminou o golpe contra a presidenta Dilma e está em marcha golpes contra os direitos sociais do povo brasileiro, mas as reações contra os golpes crescerão. Precisamos com urgência resgatar os círculos bíblicos, o trabalho de base, os encontros de formação, fazer opção de classe optando pelos injustiçados e conclamar todas as pessoas das igrejas e da sociedade a dar as mãos para a construção de uma sociedade justa, solidária e sustentável ecologicamente. Temos que por em prática as três eloquentes metáforas do evangelho: ser luz que incomoda as trevas, sal que salga/incomoda a comida e fermento que incomoda a massa, mas a faz crescer em tamanho e em qualidade. Não podemos mais acreditar que democracia representativa, eleições e via institucional será o caminho de libertação. Com o golpe de 31 de agosto de 2016 – dia 31, não de março de 1964, mas de agosto de 2016 - foi assassinada a democracia representativa. Para reerguer essa devemos dedicar apenas 5% das nossas energias e do nosso tempo. A hora exige 95% das nossas energias e do nosso tempo na luta por Política com P maiúsculo, que é a construção de democracia real, que passa necessariamente pela construção do Poder Popular e pela organização e lutas coletivas em todo o tecido social. Sem pressão de baixo para cima e de dentro para fora, a classe política asquerosa e criminosa continuará humilhando o povo. Não há mais espaço para política de conciliação de classe. A luta de classes está mais viva do que nunca. O nosso lado deve ser o dos oprimidos.”
7.   Jornal Prosa Boa: A crise política demarcou a falência do presidencialismo de coalizão e do modelo político e eleitoral. Ao mesmo tempo, levou ao poder o que tem de mais reacionário e corrupto na política brasileira, sinalizando tempos de trevas e retrocessos. Ainda é possível desatar esse nó e avançar na reforma política? 
Frei Gilvander: “Uma reforma política popular feita por uma Assembleia Constituinte só acontecerá junto com reforma agrária e urbana. Isso tudo exige organização e lutas populares massivas. Esperar que um Congresso Nacional podre e aconchavado com o sistema do capital como o que temos fará uma boa reforma política é o mesmo que acreditar que raposa cuida bem de galinheiro.”
8.   Jornal Prosa Boa: Você como conhecedor do Noroeste de Minas, quais seriam as pautas que poderiam unificar a luta dos movimentos sociais, na região? Existem sinais de esperança em nossa região, existem motivos para as lideranças populares continuarem a lutar?
Frei Gilvander: “Sim. No Noroeste de Minas há uma infinidade de lutas históricas e de resistências que precisam ser resgatadas e fomentar um salto de qualidade nas lutas sociais do nosso querido Noroeste de Minas. Como pautas unificadoras sugiro o resgate das Comunidades Eclesiais de Base, do trabalho de base, formação de lideranças, articular o que há de melhor em todos os assentamentos e comunidades do campo e das periferias das cidades. Encontros para troca de experiências entre os veteranos de tantas lutas e a juventude. Realizarmos no Noroeste de Minas a 20ª Romaria das águas e da terra do estado de Minas Gerais em meados de 2017 (sugiro). Propor caminhada ecumênica entre pessoas de várias igrejas. Organizar lutas que desmascarem o agronegócio na região, pois ao produzir feijão, soja, milho e etc., com exagero de agrotóxico, está envenenando a comida do povo do Brasil e alastrando epidemia de câncer, alzaimer e outras doenças. E, por outro lado, exercitar produção na linha da agroecologia no campo e na cidade. Ah! Combater a privatização da fé, a volatilização da fé e as propostas religiosas (neo)pentecostais que, na prática, amputam a dimensão social e transformadora da fé cristã. São muitas pautas que devem ser abraçadas coletivamente.”

P.S.: Frei Gilvander é padre da Ordem dos Carmelitas, bacharel e licenciado em Filosofia pela UFPR, bacharel em Teologia, mestre em Exegese Bíblica, doutorando em Educação na FAE/UFMG, assessor de CEBs, CPT, CEBI, SAB e Movimentos Sociais urbanos; e-mail: gilvanderufmg@gmail.comwww.freigilvander.blogspot.com.br - www.gilvander.org.br – No facebook: Gilvander Moreira III

Belo Horizonte, MG, 05 de setembro de 2016.